Todo o meu corpo doía, o menor sopro de vento era como se fosse uma afiada lâmina glacial, estava fraco como jamais lembro de ter estado.
Pela primeira vez na vida cheguei a pensar seriamente que minha hora havia chegado.
Engraçado foi a tranquilidade com que reagi à possível constatação. Tristeza, claro, mas tranquilidade.
O curioso é que essa minha súbita doença não parece normal... é como se eu estivesse sendo provado, como se alguma espécie de expurgo estivesse sendo feito. Eu senti que o que se passava comigo era algo além da esfera física, uma espécie de teste, talvez. Qual não foi minha surpresa quando minha namorada me disse que teve a mesma sensação, de que talvez "fosse para eu ficar doente". O detalhe é que ela me falou isso antes de eu comunicar-lhe minhas impressões.
Pois bem, passei no teste, o expurgo foi feito. Ainda não me encontro cem por cento, mas não deixei-me abater em nenhum momento.
Estou vivo. Vamos viver, então.
