
Há mais de um ano travo uma guerra incessante contra ela, a dama que invade as minhas noites e me rouba as horas mais preciosas do dia. Mais de uma centena de batalhas foram travadas, e ambos temos nossas cotas de vitórias e derrotas. Posso afirmar sem medo que minha persistente adversária está muito ferida e não pode articular lá muito bem seus movimentos, mas de quando em vez essa peste arruma forças para lançar sobre mim a maldição dos olhos abertos. Lembro-me do tempo das trevas, embora a palavra trevas quando se trata deste assunto possa soar redundante, quando eu chegava a passar inacreditáveis seis a sete dias em claro. Quem me via naquele tempo tinha a visão mais próxima que um ser humano poderia ter de um zumbi.
Morfeu sempre tentou me ajudar, combatia ao meu lado todas as noites e todas as noites perdia. Eu e ele fomos bolando táticas para derrubar de vez a maldita criatura. Aos poucos fomos conseguindo avanços significativos, e uma época veio que eu pensei que a miserável estivesse para sempre banida de minha vida.
Foi um mês de sono.
Meu Deus como era bom dormir cerca de oito a nove horas todas as noites... O sol com seus raios matinais me encontrava bem disposto e com um ótimo aspecto, o azul do céu matutino me parecia sempre claro e convidativo, e não cínico e zombeteiro. Esse foi um período em que muitas de minhas coisas foram pra frente, tudo parecia melhor, tudo fazia mais sentido.
Mas a madame não havia se dado por vencida, e logo estava me espevinhando de tal forma que tudo começou a desandar novamente. Mas a insônia foi enfraquecendo, e hoje em dia é uma ameaça quase erradicada. Há umas semanas ele deu umas investidas pesadas, e aqui está nesta madrugada, ao meu lado enquanto escrevo, alquebrada mas presente, aproveitando se Deus quiser uma de suas últimas, senão quem sabe, última noite de vitória, como uma velha andrajosa e desgostosa prestes a recolher no futuro os frutos de seu insucesso.
Mas ela tem um motivo pra se alegrar. Por ter sido mesmo que negativamente parte marcante na minha vida, lhe escreverei uma música algum dia, ou pelo menos um poema.
Morfeu sempre tentou me ajudar, combatia ao meu lado todas as noites e todas as noites perdia. Eu e ele fomos bolando táticas para derrubar de vez a maldita criatura. Aos poucos fomos conseguindo avanços significativos, e uma época veio que eu pensei que a miserável estivesse para sempre banida de minha vida.
Foi um mês de sono.
Meu Deus como era bom dormir cerca de oito a nove horas todas as noites... O sol com seus raios matinais me encontrava bem disposto e com um ótimo aspecto, o azul do céu matutino me parecia sempre claro e convidativo, e não cínico e zombeteiro. Esse foi um período em que muitas de minhas coisas foram pra frente, tudo parecia melhor, tudo fazia mais sentido.
Mas a madame não havia se dado por vencida, e logo estava me espevinhando de tal forma que tudo começou a desandar novamente. Mas a insônia foi enfraquecendo, e hoje em dia é uma ameaça quase erradicada. Há umas semanas ele deu umas investidas pesadas, e aqui está nesta madrugada, ao meu lado enquanto escrevo, alquebrada mas presente, aproveitando se Deus quiser uma de suas últimas, senão quem sabe, última noite de vitória, como uma velha andrajosa e desgostosa prestes a recolher no futuro os frutos de seu insucesso.
Mas ela tem um motivo pra se alegrar. Por ter sido mesmo que negativamente parte marcante na minha vida, lhe escreverei uma música algum dia, ou pelo menos um poema.

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