
Arte. A expressão máxima do espírito humano. Válvula de escape para alguns, meio de protesto para outros, forma de se externar o que se pensa ou sente, veículo que faz rir ou chorar, refletir, pensar.
Infelizmente muitos não compreendem essa elevação humana e fazem desse expediente mero entretenimento ou sequer levam em consideração qualquer importância artística, engessados pelas frias paredes da realidade, incapazes muitas vezes de perceber que são sufocados porque querem, porque permitem, cegos para notar as fendas e observar a existência de vários outros mundos e possibilidades além do que aquilo que os esmaga.
Quando muito conseguem apenas apreciar o retrato artístico da realidade, e ainda assim sem capturar as nuances necessárias para a completa absorção da mensagem.
Oscar Wilde tem uma frase famosa. "Toda arte é absolutamente inútil".
Não sei em que contexto ele a disse, não sei se foi um reflexo de si próprio, afirmando que sua arte ou a arte em geral de nada tinha adiantado pra ele, não sei se foi ironia. Como não dá pra saber o que exatamente ele quis dizer, me apego ao mais óbvio e discordo veementemente do autor de "O Retrato de Dorian Gray"
A arte é uma potencial resgatadora de vidas, objeto de motivação para inúmeras pessoas. Sejam as forças criativas, os artistas, ou os apreciadores, o resto do povo.
Há uma sectarização de visões da qual até pouco tempo atrás eu mesmo fazia parte. Óbvio que eu sabia que tudo era arte, mas não tinha verdadeiramente em mim a consciência de que cinema, teatro, literatura, música, pintura, escultura, dança, teatro e quadrinhos eram acima de tudo arte, pura e simplesmente arte, diferindo apenas o meio para desenvolvê-la.
Muitas pessoas tem seus nichos de preferência. Muitas se ligam mais em música, outros em cinema, outros ainda em pinturas, quadrinhos e por aí vai. Mas um sempre pesca algo do outro, de alguma forma.
Levei um tempo para compreender de forma total de que arte é arte, afinal.
Quem me deu esse toque foi a mulher que eu amo. Ela gosta muito de quadrinhos. Eu também gostava, mas não tanto quanto ela, não era um profundo conhecedor do meio. Passei a explorar mais essa seara por causa dela e estou descobrindo coisas fantásticas.
Antes meu conhecimento de quadrinhos se resumiam a Hergé, Goscinny e Uderzo, alguns gibis da disney, Mauricio de Souza, uns tantos mangás e claro, arcos da Marvel e da DC.
Hoje já conheci literatura de primeira nesse meio artístico. Will Eisner é simplesmente fantástico, só lendo vocês entenderão. E também já vi muitas outras coisas boas. Ontem li uma história de Kyle Baker cheia de tensão, dava até agonia e neste momento, enquanto escrevo, uma obra de Neil Gaiman e Dave Mackean espera que eu a termine. Baixei vários autores, nacionais e internacionais e estou de fato descobrindo um novo mundo.
Comentei em tom meio de brincadeira com minha linda se viraria um fanático por quadrinhos. Foi quando ela me disse o óbvio. Que tudo era arte.
Sim, antes de ser a nona arte, quadrinhos são simplesmente arte que aí está para passar mensagens sérias, fazer pensar, simplesmente entreter ou um pouco de tudo.
Arte é vida.
Agora com licença, hoje é dia de folga e tenho umas hqs pra ler.
Fiquem bem.